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Por incrível que possa parecer a marca TEKNO Dansk Legetojs Industri nasce numa cave de um edifício situado na Cidade dinamarquesa de Vanlose, muito perto de Copenhagen em um de Setembro de 1928 pelas mãos de um canalizador chamado A. Siegumfeldt. Este canalizador dirigia a sua própria companhia na altura, mas sempre com o bichinho da fabricação de brinquedos. Assim, decidiu dar continuação ao seu sonho vendendo a sua companhia e dedicando-se exclusivamente à fabricação e venda de modelos.

Nos anos trinta a Dinamarca importava inúmeros brinquedos da Alemanha que na altura, a exemplo do que é hoje em dia, era líder de mercado neste sector. Tornava-se assim extremamente difícil desafiar esta liderança com sucesso, o que, aliás era a opinião de toda a gente à volta do pobre canalizador, que várias vezes foi chamado de maluco. Apesar de tudo, esta situação não o desmotivou, continuando o seu sonho com garra e coragem, visto ser ele e só ele a produzir os modelos, pois não tinha empregados. Continuou e com sucesso.

Em 1930, dois anos depois do início da sua companhia, Siegumfeldt mostra com orgulho uma enorme variedade de modelos à Federação das Indústrias Dinamarquesas, que anualmente entregava um prémio à indústria que mais se tivesse distinguido nesse ano relativamente à qualidade. O resultado foi esmagador. Nesse ano não só a Tekno recebe o prémio pelo melhor modelo à escala como também recebe o prémio da Federação. Não poderia haver assim melhor testemunho da incrível qualidade de trabalho deste homem.

Com este sucesso, nos primeiros anos da década de trinta, a Tekno cresceu passando a ter empregados. O crescimento foi tal, que em 1932 a fábrica muda-se para um edifício arrendado em Tranevej a Noroeste de Copenhagen, sítio onde não se manteria muito tempo pois o contínuo crescimento da Empresa tornou rápidamente estas instalações muito pequenas.

Em 1935, a Tekno muda-se para um edifício inteiro em Rentemestervej, perto da fábrica anterior com uma área total de 600 m2. A produção cresceu para quantidades sem precedentes, de tal forma que a importação de brinquedos da Alemanha diminui e rápidamente finaliza, passando a Tekno a líder de mercado.

Em 1939 rebenta a segunda guerra mundial. Em extremas dificuldades, a Tekno usou o seu maior esforço para aumentar a produção e mais uma vez com sucesso, de tal forma que os actuais 600 m2 se tornaram pequenos. Porém, este problema, naquela altura não tinha resolução visto haverem várias restrições imobiliárias em tempo de guerra, o que de forma alguma permitia a expansão da fábrica.

A situação é ainda mais agravada em 1940, quando a Alemanha proíbe o uso de estanho, proíbição essa, que só terminará em 1952. Como o estanho era o principal material de produção, a Empresa teve de pensar rápidamente numa alternativa. Assim a Tekno inicia a produção de automóveis à escala 1/43, como por exemplo, o seu famoso Ford V8, moldados em zinco, material este não sujeito à proibição e disponível em largas quantidades.

É preciso referir que nesta altura, a técnica de moldagem de modelos era desconhecida na Dinamarca, pelo que a Tekno, mais uma vez, teve de fazer um enorme esforço para se modernizar, nomeadamente adquirindo a maquinaria necessária para esta técnica.

Passado algum tempo, nova contrariedade. A Alemanha durante a ocupação, vigiou cuidadosamente os países ocupados, entre eles, a Dinamarca, de forma a que não florescesse qualquer tipo de indústria nestes países que lhes pudesse fazer frente. Assim descobriram rapidamente que a Tekno estava também a produzir pequenas miniaturas de aviões que poderiam constituir uma “séria ameaça” à indústria do brinquedo alemã pelo que, como precaução confiscam toda a produção destes brinquedos e levam preso o Sr. Siegumfeldt que afortunadamente é libertado 16 dias depois.

Apesar de todas as contrariedades, a fábrica floresce e com o fim da guerra e o levantamento de todas as restrições a ela correspondentes, é a oportunidade de expansão da fábrica em Rentemestervej ao mesmo tempo que é também construída uma fábrica em Fredrikssund dedicada ao fabrico do brinquedo em madeira. Tudo isto implica que em 1947 a Tekno tenha um edifício com mais de 2000 m2 em Rentemestervej e um de 600 m2 em Fredrikssund, atingindo um efectivo de mais de 200 empregados.

Em 1950 é formada em Malmö a “Svenska Tekno AB”. O alvo era lançar a Tekno na Suécia. Foi um sucesso. A produção de carros suíços foi enorme, especialmente os Volkswagen minibus com textos suíços como os das firmas Wasabrod, Vademekum e Kalas Puffar.

Todo este sucesso, foi, óbviamente um motivo de enorme satisfação para a Tekno, pelo que tentou, nos finais dos anos 50, fazer o mesmo na Noruega.

Malogradamente, desta vez as coisas não correram tão bem, pois existem certas leis proteccionistas na Noruega em relação a Empresas de brinquedos que não pertencem a este País pelo que a Tekno não tem outra hipótese, senão fazer um acordo de fabrico dos seus brinquedos com a “Norsk Lego”, uma das poucas Empresas nesta altura a ter capacidade de produção suficiente para as necessidades. Consequentemente a moldagem, pintura e montagem dos modelos passou a efectuar-se na Noruega e consequentemente, também, o logo da marca Tekno é substituído por marcas como, “Mini-cars”, “nikrom” ou “Mecline”.

Mas a Tekno não está activa apenas na Suécia e na Noruega. A Tekno exporta para os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha , etc. A Holanda e muitos outros países adoram os pequenos mas “deliciosos” modelos dinamarqueses.

Nos anos chave, a Tekno chega à produção de 1 milhão de peças anuais, das quais dois terços são para exportação, o que comparado com outros fabricantes estrangeiros (como a Corgi e a Dinky) é uma quantidade admirável.

Siegumfeldt, morre em 1969, deixando um filho e uma filha, pelo que, o futuro da Empresa parece assegurado. Tal não acontece pois o filho não se interessa pela companhia e a filha que se interessa, mas devido a problemas financeiros causados pela sua gerência decide vender a Tekno após dois anos de permanência à frente dos destinos desta.

A Tekno cai nas mãos de uma companhia no Norte de Jutland. Esta companhia fabrica e vende bonecas e move a fábrica da Tekno para Jutland. A mudança ocorre em 1970 com carácter provisório. A Empresa é alojada numa antiga quinta ao mesmo tempo que é construída uma fábrica em Hjorring.

Esta fábrica é inaugurada em 1 de Maio de 1971. De novo tudo corre mal. Os objectivos anuais de vendas e de produção não são atingidos, são cometido inúmeros erros.

Esta situação acaba por não ser uma surpresa pois, de todos os antigos empregados da Tekno que conheciam o negócio em todas as suas frentes, apenas quatro são transferidos para a nova fábrica. O resto dos empregados eram novos no negócio ou sem qualquer tipo de experiência neste ramo.

Problemas financeiros em resultado de um mau planeamento, baixa produção e custos astronómicos em conjunção com os custos de construção da nova fábrica levam a uma situação insustentável, o que resulta no triste fim da Tekno Dinamarca em 1972.

A Marca Tekno, a maquinaria e ferramentas voltam a ser vendidas e têm a sua continuação como Tekno Toys na Holanda.

Uma das primeiras decisões da gestão Holandesa da Tekno Toys foi especializar a fábrica na produção de modelos de camiões. Esta decisão revela-se bastante sábia e inteligente. A Tekno recupera toda a sua popularidade.

Em 1989 a palavra “Toys” foi eliminada da marca. A Tekno quer distância da associação a outras fábricas de brinquedos vulgares o que é sustentado pela alta qualidade dos seus produtos e pelo seu elevado preço.

Quando esta Tekno renovada começou em 1974 tinham apenas como modelos a Scania LB(S) e L(S) 110 e o Volvo F89 apenas com duas galeras . Hoje a colecção consiste em cinco marcas: Scania, Volvo; Daf, Mercedes Benz e ERF. Os clientes da Tekno podem escolher entre 20 atrelados ou semi atrelados diferentes.

Em 2003, a Companhia abriu o seu próprio museu que contém milhares de modelos antigos e recentes. Este museu tem sido um enorme sucesso. Desde a sua abertura milhares e milhares de pessoas têm tomado conhecimento da história e qualidade desta marca, que a qualquer coleccionador e apreciador de miniaturas ainda hoje provoca um arrepio na espinha.